31.8.08

A Voz da Saudade: Maria Estefânia Anacoreta

A RTP emitiu hoje, no Canal 1, um extraordinário documento histórico de um verdadeiro anjo da guarda do Movimento Nacional Feminino. Sob o título de A Voz da Saudade: Maria Estefânia Anacoreta e com duração de 60 minutos comoventes pelo seu passado é o relato vivo de uma Senhora extraordinária e corajosa ao serviço da Pátria e do Movimento Nacional Femino.
Presto a minha profunda homenagem a esta grande Senhora.
Bem haja, Senhora Dona Maria Estefânia Anacoreta.
Não a esqueceremos!

«Há mais de 40 anos, em plena guerra colonial, uma mulher de Santarém percorreu durante sete meses quase 20 mil quilómetros pelo mato e a floresta de Angola. Foi dar a ouvir, a mais de mil soldados do seu distrito, mensagens gravadas pelos familiares. O seu nome era Maria Estefânia Anacoreta.
Esta é a sua história.
Tinha então 47 anos. Com um gravador de som, percorreu o distrito a pedir aos familiares de soldados a combater em Angola (mães, esposas, filhos, namoradas e até madrinhas de guerra) que gravassem mensagens para ela própria reproduzir à frente dos militares. Assim fez, numa épica viagem pelo interior de Angola que durou seis meses, por avionete e por estradas e picadas. O documentário evoca as emoções que este anjo da guarda despertou junto desses soldados, ao aparecer-lhes de surpresa nos aquartelamentos, matando-lhes as saudades e transmitindo-lhes um sentimento de ânimo e de esperança.
Regressada a Portugal, tentou fazer o mesmo para quem combatia na Guiné, voltando a calcorrear o seu distrito a recolher novas mensagens, mas o estado da guerra naquela colónia impediu-a de partir, e os homens de Santarém aí estacionados nunca ouviram as gravações dos seus familiares.
A protagonista desta história, que conservava consigo o mesmo gravador portátil utilizado na época, assim como as mensagens que recolheu para os soldados na Guiné, participou na produção do documentário, nomeadamente indo procurar, ao fim de quase quatro décadas, alguns desses antigos militares e pondo-os a ouvir pela primeira vez o som dos pais já falecidos ou dos filhos então acabados de nascer.
Maria Estefânia Anacoreta faleceu em 8 de Janeiro de 2008, aos 89 anos de idade, poucas semanas depois da finalização deste documentário.»

7 comentários:

Anónimo disse...

Ainda consegui ver um pouco o programa. Vieram-me as lágrimas aos olhos.
Agora vejo estes artolas das AMI(s) e a fins...coitaditos, fazem tudo para aparecer na tv e só para entrar mosca ou sair asneira.

O teu texto está ***** Parabéns

Optio

Máman disse...

Também só ontem,dia 31 de Agosto, vi o documentário (parece que passou na RTP em Abril)g. Adorei! Fui educada nos valores da Pátria, pelo que, apesar de todos os erros do Antigo Regime, tenho o Movimento Nacional Feminino em grande conta: proporcionou aos rapazes proximidade com as famílias e vice-versa (sei do que falo, por ter tido 3 irmãos na guerra - em Angola, na Guiné e em Moçambique). O documentário comoveu-me imenso, e sinto que esta senhora tenha morrido entretanto, por dois motivos: por um lado, gostava de lhe escrever uma carta enorme, e, por outro,que pena ela não ter tido o gosto, tão gratificante, de ver as reacções das pessoas ao programa! Céu Soveral

nonas disse...

Olá,Céu!
Que surpresa! A ler o meu blogue às escondidas, hein?
A Céu fala do que sabe - eu sei que a Céu sabe que eu sei - que teve lá os seus irmãos e às vezes, raras, o seu Pai, Prof. Carlos Eduardo Soveral, meu Amigo e Mestre, ia visitá-los dado estarem em "missão de soberania" a defenderem o solo pátrio.

Anónimo disse...

Em 1966, prestava eu, então, serviço militar em Angola, fui, em dia de que me não recordo com exactidão, chamado ao Quartel-General da Zona de Intervenção Leste, na cidade do Luso. Ali viera, comandando a escolta à equipa de reabastecimentos que, periodicamente, lá se deslocava.
Chegado ao Quartel-General da Zona, fui apresentado a uma Senhora que me disseram pertencer ao Movimento Nacional Feminino de Santarém, e que, naquele momento, fazia uma coisa única e verdadeiramente extraordinária: visitava os soldados do seu Distrito levando-lhes palavras de saudade das respectivas Famílias. Recebi ordem de a transportar à minha Unidade – distante cerca de 150 Km – onde pernoitaria e contactaria os militares que procurava, caso os houvesse, seguindo, posteriormente, para outra Unidade. Chamava-se, a Senhora, Maria Estefânia Anacoreta.
Preocupado com a situação invulgar, ordenei a alguns soldados que tratassem de colocar alguns sacos de terra sob o assento da GMC - a viatura mais resistente que tinha na coluna – bem como alguns mais à sua volta, do que resultou um verdadeiro casulo, onde a D. Maria Estefânia, com grande incómodo com certeza, viajou.
Regressámos sem quaisquer incidentes. A presença da Senhora foi uma surpresa geral na minha Unidade. Convidada para a “messe de oficiais” (uma simples mesa no “JC” do Comando), mandámos confeccionar um jantar apressado, que se prolongou pela noite dentro, transformado em conversa interessantíssima sobre as muitas e variadas aventuras da Senhora, nas suas andanças por Angola.
No dia seguinte, seguiu para a Unidade mais próxima, escoltada por um outro Grupo de Combate.
Algum tempo depois, tive, juntamente com um outro Alferes da minha Companhia, o gosto de a rever. No restaurante de um hotel de Nova Lisboa, onde almoçávamos com um casal conhecido, reparámos numa Senhora que, sozinha, acabara de se sentar numa mesa próxima. Reconhecêmo-la imediatamente e, após solicitarmos licença ao casal presente, convidámo-la para que se sentasse connosco. D. Maria Estefânia deu-nos essa honra, e retribuiu-nos o convite com mais algumas peripécias da sua “comissão”.
Após o meu regresso vi-a, uma ocasião, entrevistada na RTP, salvo erro por Fialho Gouveia. Acabara de regressar e não regateara dar a conhecer toda a sorte de aventuras por que passara.
Nunca mais soube dela, até à notícia da sua morte, que me fez reviver todos estes episódios. Infelizmente, não vi o documentário que passou na RTP, porque quase não vejo televisão.
Como seu crente, não tenho dúvidas de que goza da bem-aventurança eterna que a sua alma generosa lhe garantiu.

Silva Pereira – ex-alferes miliciano

Anónimo disse...

tenho tantas saudades da minha tia

Xico Orta disse...

Abri "rtp online" e na rubrica A VOZ DA SAUDADE encontrei todo esse magnifico documentário.
Revisitei 1963-65 Norte de Angola, os meus anos de Morte de Angola.

Mostrem-no aos mais novos, para que eles saibam por onde andaram os pais ou avós, sem lamechices saudosistas. Talvez assim eles não deixem que as suas vidas passem pelo que nós passamos.

Organizem uma homenagem ou um monumento a esta SENHORA,
a esta forma sublime de amar.

JORGE disse...

Sou natural de Alcanhões e fui Alferes Miliciano em Angola, onde fui Ferido em Combate.
Esta senhora, que eu já conhecia, desde o meu tempo de garoto, levou-me uma mensagem, gravada pela minha irmã e sobrinha. Por infelicidade, já a ouvi no Hospital Militar de Luanda, onde estava ferido e a SENHORA fez questão de que eu a ouvisse no leito hospitalar.
MUITO OBRIGADO
JORGE BELO ROSA